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Tesouro Direto 2026: todos os títulos explicados

Tesouro Direto 2026: todos os títulos explicados

Conheça todos os títulos do Tesouro Direto: Tesouro Selic, Prefixado, IPCA+, RendA+ e Educa+. Entenda riscos, prazos e tributação.

Equipe Numerando7 min de leitura

O Tesouro Direto colocou títulos públicos na mão de qualquer brasileiro com R$ 30

Até 2002, comprar título público era coisa de banco e fundo de investimento. Pessoa física? Nem pensar. Aí o Tesouro Nacional fez parceria com a B3 e criou o Tesouro Direto — um programa que permite a qualquer pessoa com CPF investir nos mesmos títulos que os grandes investidores, a partir de aproximadamente R$ 30.

É considerado o investimento mais seguro do país. A garantia é do governo federal. Para o governo dar calote na dívida interna, teria que acontecer algo sem precedentes no Brasil moderno. Não é impossível, mas está lá no final da lista de riscos.

Como funciona na prática

  1. Abra conta em uma corretora habilitada (muitas cobram zero de taxa)
  2. Escolha o título no site ou app do Tesouro Direto
  3. Compre — dá para comprar frações de 0,01 título
  4. O título fica custodiado na B3 em seu nome (não na corretora)
  5. No vencimento, o Tesouro deposita o valor na sua conta

Se a corretora quebrar, seu título continua lá na B3, seguro. Esse é um detalhe que pouca gente sabe é que faz diferença na hora de escolher onde investir.

Tesouro Selic (LFT) — o queridinho da reserva de emergência

O Tesouro Selic é um título pós-fixado que rende acompanhando a taxa Selic. É o mais conservador do Tesouro Direto e, na minha opinião, o melhor lugar para guardar a reserva de emergência.

Características:

  • Rentabilidade: Selic + pequeno ágio ou deságio (tipo Selic + 0,05%)
  • Risco de mercado: quase zero — praticamente não sofre marcação a mercado negativa
  • Liquidez: diária, com recompra garantida pelo Tesouro (resgate em D+1)
  • Para quem serve: reserva de emergência, dinheiro de curto prazo, perfil conservador

Por que é melhor que poupança? Combina liquidez alta, volatilidade mínima e rendimento superior. Mesmo com IR, ganha da poupança na maioria dos cenários. Com a SELIC a 14,25%, um Tesouro Selic rende cerca de R$ 120 por mês para cada R$ 10.000 investidos (bruto). A poupança rende em torno de R$ 61. Quase o dobro.

Tesouro Prefixado (LTN) — para quem gosta de certeza

Aqui a taxa de juros é travada no momento da compra. Você sabe quanto vai receber lá no vencimento: R$ 1.000 por título.

Características:

  • Rentabilidade: taxa fixa (ex: 12% ao ano)
  • Preço de face: sempre R$ 1.000 no vencimento
  • Risco de mercado: alto — preço varia bastante conforme expectativas de juros
  • Para quem serve: quem acredita que os juros vão cair e quer travar uma taxa alta agora

O risco de vender antes da hora

Se os juros subirem depois que você comprou, o preço do título no mercado cai. Vendeu antes do vencimento? Pode ter prejuízo. Se os juros caírem, o preço sobe e você pode lucrar vendendo antecipadamente.

A regra prática: se vai segurar até o vencimento, a marcação a mercado não importa. Você recebe exatamente a taxa contratada. Se pode precisar vender antes, esteja preparado para oscilações.

Tesouro Prefixado com Juros Semestrais (NTN-F) — renda a cada 6 meses

Igual ao Prefixado, mas paga cupons de juros semestrais (janeiro e julho). O dinheiro cai na conta a cada semestre.

Características:

  • Rentabilidade: taxa fixa + cupons a cada 6 meses
  • Cupons: já vêm com IR descontado na fonte
  • Risco de mercado: alto, parecido com o prefixado comum
  • Para quem serve: aposentados ou quem quer renda periódica caindo na conta

Um detalhe sobre os cupons

Os primeiros cupons sofrem IR de 22,5% (prazo curto na tabela regressiva). Com o tempo, a alíquota vai caindo para 15%. Isso torna o NTN-F menos eficiente em termos fiscais que o prefixado sem cupom, onde o IR incide só no vencimento. Para quem não precisa de renda periódica, o LTN costuma ser melhor negócio.

Tesouro IPCA+ (NTN-B Principal) — proteção contra a inflação

Título híbrido: rende uma taxa fixa mais a variação do IPCA. É a garantia de rendimento real — acima da inflação — se você segurar até o vencimento.

Características:

  • Rentabilidade: IPCA + taxa fixa (ex: IPCA + 6,5% ao ano)
  • Preço de face: corrigido pela inflação acumulada
  • Risco de mercado: alto — sofre marcação a mercado forte
  • Para quem serve: metas de longo prazo (aposentadoria, faculdade dos filhos, compra de imóvel)

Por que é o rei do longo prazo

O Tesouro IPCA+ é o único investimento acessível que garante ganho real definido. Se a inflação disparar, seu título acompanha. Se cair, você mantém a taxa real contratada. Em 10 ou 20 anos, a inflação é o maior inimigo do patrimônio — e esse título é o antídoto.

Com IPCA + 6,5%, por exemplo, R$ 100.000 investidos viram algo perto de R$ 350.000 em 20 anos (já descontada a inflação). É a mágica dos juros compostos com proteção inflacionária.

Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais (NTN-B)

Versão do IPCA+ que paga cupons semestrais corrigidos pela inflação. Combina proteção contra inflação com renda periódica.

Características:

  • Rentabilidade: IPCA + taxa fixa + cupons semestrais
  • Para quem serve: investidores que querem renda passiva protegida da inflação

Mesma ressalva fiscal do NTN-F: os cupons antecipam o pagamento de IR, reduzindo a eficiência dos juros compostos.

Tesouro RendA+ (NTN-B1) — feito para a aposentadoria

Criado em 2023, é um título desenhado para planejamento de aposentadoria. Funciona em duas fases: enquanto você trabalha, acumula. Quando chega a data escolhida, começa a receber renda mensal por 20 anos, corrigida pelo IPCA.

Características:

  • Fase de acumulação: você compra títulos até a data de conversão
  • Fase de conversão: recebe 240 parcelas mensais (20 anos), todas corrigidas pela inflação
  • Para quem serve: planejamento de aposentadoria complementar

A grande sacada do RendA+ é transformar um acúmulo em renda mensal sem que você precise vender títulos todo mês e calcular quanto pode gastar. O Tesouro faz isso automaticamente.

Tesouro Educa+ (NTN-B Educa+) — para pagar a faculdade dos filhos

Mesma lógica do RendA+, mas voltado para educação. Você acumula durante anos e, na data de conversão, recebe parcelas mensais por 5 anos (60 meses) — tempo suficiente para cobrir uma graduação.

Características:

  • Fase de acumulação: compras mensais até a data de conversão
  • Fase de conversão: 60 parcelas mensais corrigidas pelo IPCA
  • Para quem serve: pais que querem acumular para a faculdade dos filhos

Se seu filho tem 5 anos, você tem uns 13 anos de acumulação pela frente. Com aportes regulares e juros compostos + IPCA, dá para montar um belo fundo educacional sem depender de previdência privada cara.

Tributação: a mesma tabela regressiva para todos

Todos os títulos do Tesouro Direto seguem a tabela regressiva de IR:

  • Até 180 dias: 22,5%
  • 181 a 360 dias: 20%
  • 361 a 720 dias: 17,5%
  • Acima de 720 dias: 15%

Além do IR, existe a taxa de custódia da B3: 0,20% ao ano sobre o valor dos títulos, cobrada semestralmente. Boa notícia: Tesouro Selic com saldo de até R$ 10.000 é isento dessa taxa. Para a reserva de emergência, é investimento quase sem custo.

Compare com outras opções de renda fixa

Use o comparador de renda fixa do Numerando para simular a rentabilidade líquida do Tesouro Direto versus CDBs, LCIs e LCAs. A diferença entre produtos pode surpreender.

Comparar investimentos de renda fixa

Perguntas frequentes

Tesouro Direto é melhor que poupança?

Na grande maioria dos casos, sim. O Tesouro Selic rende mais que a poupança mesmo depois do IR, e tem liquidez diária (D+1). A poupança só leva vantagem em cenários de Selic muito baixa (abaixo de 8,5%) e prazos curtíssimos (menos de 6 meses), por causa da isenção de IR. Com a Selic nos patamares atuais, não tem comparação.

Posso perder dinheiro no Tesouro Direto?

Se segura até o vencimento, recebe exatamente a rentabilidade contratada. A perda acontece quando você vende um título prefixado ou IPCA+ antes do vencimento em momento de alta dos juros — o preço de mercado pode estar abaixo do que você pagou. Tesouro Selic praticamente não tem esse risco; os prefixados e IPCA+ sim, e quanto mais longo o vencimento, maior a oscilação.

Qual título do Tesouro Direto escolher?

Depende do objetivo. Reserva de emergência e curto prazo: Tesouro Selic. Quer travar uma taxa boa porque acha que juros vão cair: Tesouro Prefixado. Meta de longo prazo com proteção contra inflação: Tesouro IPCA+. Aposentadoria complementar: Tesouro RendA+. Faculdade dos filhos: Tesouro Educa+. Na dúvida, Tesouro Selic é o ponto de partida mais seguro.

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As informações deste artigo têm caráter educativo e não constituem assessoria financeira, jurídica ou fiscal. Consulte um profissional habilitado para decisões específicas.