
Como funciona o CDB: tipos, prazos e tributação
Guia completo sobre CDB: o que é, como funciona, tipos de rentabilidade, prazos, tributação pelo IR e proteção do FGC.
CDB: o investimento de renda fixa que quase todo brasileiro deveria conhecer
O CDB (Certificado de Depósito Bancário) é, disparado, um dos investimentos mais acessíveis do Brasil. Está em todo banco, toda corretora, e tem opções a partir de R$ 1,00. Mesmo assim, muita gente ainda deixa dinheiro parado na poupança por pura falta de informação.
A ideia aqui é ir direto ao ponto: o que é o CDB, quais os tipos, como a tributação funciona e quando ele faz sentido pro seu dinheiro.
O CDB por dentro
Quando você compra um CDB, está emprestando dinheiro pro banco. Ele usa esse recurso pra conceder crédito a outros clientes e, em troca, te paga juros. É basicamente um depósito a prazo: você entrega o dinheiro, o banco trabalha com ele é devolve com rendimento na data combinada.
Os CDBs são regulados pelo Banco Central e pela CVM, registrados na B3 e na CETIP. Não é promessa de padaria — tem estrutura de verdade por trás.
Os três tipos de CDB
Pós-fixado (atrelado ao CDI)
O campeão de vendas. A rentabilidade vem expressa como percentual do CDI:
- 100% do CDI: rende exatamente a taxa DI
- 110% do CDI: rende 10% acima
- 120% do CDI: rende 20% acima
Se a Selic sobe, seu rendimento sobe junto. Se cai, desce também. Pra quem acredita que os juros vão se manter altos ou subir, é a escolha natural.
Bancos médios e digitais costumam oferecer de 110% a 130% do CDI pra atrair capital. Bancos grandes raramente passam de 100%.
Prefixado
A taxa é travada no momento da compra. CDB prefixado a 13% ao ano significa que você vai receber exatamente 13% ao ano, não importa o que a Selic faça.
- Ponto forte: previsibilidade total. Você sabe o valor exato que vai resgatar.
- Ponto fraco: se a Selic subir pra 15% no meio do caminho, você fica preso nos 13%. E se precisar vender antes, o preço de mercado pode estar abaixo do que você pagou (marcação a mercado).
Prefixado funciona bem quando você acredita que os juros vão cair. Nesse cenário, ter travado uma taxa alta é vantagem.
IPCA+ (Híbrido)
Combina taxa fixa com a inflação. Exemplo: IPCA + 6% ao ano.
- Ponto forte: garante ganho real. Não importa se a inflação for de 4% ou 10% — você ganha os 6% acima dela.
- Ponto fraco: o rendimento nominal varia com a inflação, é a marcação a mercado também existe aqui.
Na minha opinião, CDBs IPCA+ são os mais indicados pra objetivos de longo prazo, como aposentadoria ou compra de imóvel. A proteção contra inflação é algo que o pós-fixado não oferece com a mesma garantia.
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Prazos e liquidez
Liquidez diária
Resgate a qualquer momento, sem perda. Ideal pra reserva de emergência e dinheiro que pode ser necessário a qualquer hora. Rende menos — geralmente entre 90% e 100% do CDI.
Se você ainda não tem reserva de emergência, um CDB de liquidez diária pagando 100% do CDI é, na minha visão, a melhor opção disponível. Rende mais que a poupança, tem a mesma segurança é o resgate cai no mesmo dia.
Prazo definido
Só resgata no vencimento. Prazos comuns: 6 meses, 1, 2, 3, 5 anos. Quanto maior o prazo, melhor a taxa — o banco te paga mais por ter certeza de que o dinheiro vai ficar lá.
Com carência
Alguns CDBs travam o dinheiro por um período (90 dias, por exemplo) e depois liberam o resgate. A rentabilidade fica entre a liquidez diária é o prazo fixo.
Tributação: a tabela regressiva
O CDB paga Imposto de Renda na fonte, com alíquota que diminui com o tempo:
| Prazo | Alíquota |
|---|---|
| Até 180 dias | 22,5% |
| 181 a 360 dias | 20% |
| 361 a 720 dias | 17,5% |
| Acima de 720 dias | 15% |
O imposto incide só sobre o rendimento, não sobre o capital. O banco retém automaticamente no resgate.
IOF nos primeiros 30 dias
Resgatou antes de 30 dias? Além do IR, paga IOF. A alíquota começa em 96% no primeiro dia e cai até 0% no trigésimo. Na prática: não resgate CDB com menos de 30 dias. Mesmo com liquidez diária, o IOF come quase todo o rendimento.
Na prática
R$ 10.000 investidos por 2 anos, rendimento bruto de R$ 2.500:
- Alíquota (mais de 720 dias): 15%
- IR: R$ 2.500 x 15% = R$ 375
- Rendimento líquido: R$ 2.125
- Total resgatado: R$ 12.125
Pra comparar CDBs com outros investimentos de renda fixa, use o comparador do Numerando.
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A rede de segurança: FGC
CDBs são protegidos pelo FGC (Fundo Garantidor de Créditos): até R$ 250.000 por CPF por instituição, com teto global de R$ 1 milhão renovável a cada 4 anos.
Isso significa que CDBs de bancos pequenos — aqueles que pagam 120%, 130% do CDI — são tão seguros quanto os de bancão, desde que você fique abaixo de R$ 250 mil em cada um. É essa garantia que permite buscar taxas melhores sem correr risco relevante.
Estratégia prática: distribua seus CDBs entre bancos diferentes, mantendo até R$ 250 mil em cada. Todo o patrimônio fica coberto.
CDB vs Poupança: sem suspense
CDB com liquidez diária pagando 100% do CDI rende mais que a poupança na imensa maioria das situações. A única exceção teórica é quando a Selic fica abaixo de 8,5% ao ano — cenário em que a poupança rende 70% da Selic é a diferença diminui.
Com a Selic nos patamares atuais, a poupança perde feio. E o CDB tem a mesma proteção do FGC. Não há motivo racional pra manter reserva de emergência em poupança hoje.
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CDB vs LCI/LCA
LCIs e LCAs são isentas de IR pra pessoa física, o que muda a comparação. Um CDB de 100% do CDI por mais de 2 anos (IR de 15%) entrega líquido cerca de 85% do CDI. Uma LCI de 85% do CDI empata. Acima disso, a LCI ganha.
A pegadinha: LCIs geralmente têm prazo mínimo maior e menos liquidez. Se você precisa de flexibilidade, o CDB pode ser melhor mesmo rendendo um pouco menos no papel.
Como escolher um CDB
Seis critérios, em ordem de prioridade:
- Liquidez: você pode precisar do dinheiro antes? Se sim, liquidez diária.
- Prazo: alinhe com o objetivo. Dinheiro da reserva exige liquidez. Meta de 3 anos aceita prazo fixo.
- Rentabilidade: compare o percentual do CDI entre opções. Pequenas diferenças somam no longo prazo.
- Emissor: confira o rating de crédito do banco. Não precisa ser AAA, mas evite bancos com problemas conhecidos.
- FGC: nunca ultrapasse R$ 250 mil por instituição.
- Tributação: se vai deixar mais de 2 anos, a alíquota cai pra 15%. Planeje pra aproveitar.
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Compare antes de investir
O comparador de renda fixa do Numerando simula a rentabilidade líquida de CDBs, LCIs, LCAs e Tesouro Direto, já considerando prazos e tributação.
Perguntas frequentes
CDB é seguro?
Sim. A proteção do FGC garante até R$ 250 mil por CPF por banco. Se o banco quebrar, você recebe de volta. O risco real é colocar mais de R$ 250 mil num único emissor sem necessidade. Respeite o limite é o investimento é tão seguro quanto qualquer coisa no mercado de renda fixa.
Posso perder dinheiro com CDB?
Se mantiver até o vencimento, não. O valor investido mais os juros estão garantidos. O único cenário de perda parcial é vender um CDB prefixado antes do prazo num momento em que os juros subiram (marcação a mercado). Mas isso só acontece se o CDB tiver liquidez antecipada e você optar por resgatar no pior momento.
Qual o valor mínimo pra investir?
Varia muito. Bancos digitais oferecem CDBs a partir de R$ 1,00. Bancos tradicionais pedem R$ 1.000 ou R$ 5.000. Corretoras e plataformas de investimento costumam ter opções de vários bancos com mínimos baixos. O dinheiro pra começar não é desculpa — o importante é dar o primeiro passo.
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