
Tabela INSS 2026: faixas, alíquotas e como funciona
Conheça as faixas de contribuição e alíquotas do INSS, entenda o cálculo progressivo e saiba quanto é descontado do seu salário.
O INSS é o desconto que todo trabalhador sente no bolso
O INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) cuida da previdência social no Brasil. Se você trabalha de carteira assinada, já sabe: todo mês tem aquele desconto no contracheque que vai direto para o INSS. Em troca, você garante acesso a aposentadoria, auxílio-doença, salário-maternidade, pensão por morte e outros benefícios.
Quem é CLT não precisa se preocupar com o recolhimento — o empregador faz isso automaticamente. Já quem é autônomo ou contribuinte individual precisa correr atrás por conta própria, emitindo a guia GPS ou usando o sistema Meu INSS.
A tabela progressiva do INSS (e por que ela é mais justa do que parece)
Antes de 2019, o desconto do INSS era direto: uma alíquota única sobre o salário inteiro. Depois da Reforma da Previdência (Emenda Constitucional nº 103), as alíquotas passaram a ser progressivas — igualzinho ao Imposto de Renda. O salário é fatiado em faixas, e cada fatia paga uma alíquota diferente.
As alíquotas para empregados, domésticos e avulsos são:
- 7,5% — primeira faixa (até o limite definido pelo governo)
- 9% — segunda faixa
- 12% — terceira faixa
- 14% — quarta faixa (até o teto do INSS)
Os limites de cada faixa mudam todo ano, geralmente em janeiro, acompanhando a correção do salário mínimo e do teto previdenciário. Sempre confira a portaria vigente publicada pelo governo federal.
Mas o que significa "progressivo" na prática?
Muita gente acha que, ao cair na faixa de 14%, paga 14% sobre o salário inteiro. Não é assim.
Funciona como uma escadinha: os primeiros reais do seu salário pagam 7,5%. A fatia seguinte paga 9%. Depois 12%. Só o que sobra acima da terceira faixa é que paga 14%. O resultado final é uma alíquota efetiva sempre menor que a alíquota da faixa mais alta.
Vamos a um exemplo concreto: um trabalhador com salário de R$ 4.000,00 não paga 12% sobre tudo. Paga 7,5% sobre a primeira fatia, 9% sobre a segunda e 12% só sobre o que excede o limite da segunda faixa. No fim, o desconto total fica em torno de 9% do salário — bem menos que os 12% nominais.
Calculando o desconto do INSS na mão
Se você gosta de entender a conta antes de confiar numa planilha, aqui vai o passo a passo:
Passo 1: Pegue o salário bruto
Salário bruto é o valor antes de qualquer desconto. Inclua horas extras, adicional noturno, periculosidade e comissões — tudo isso entra na base de cálculo do INSS.
Passo 2: Aplique cada alíquota na sua faixa
Calcule separadamente. A primeira faixa: limite × 7,5%. A segunda: diferença entre o limite da segunda e da primeira × 9%. Terceira e quarta faixas seguem a mesma lógica.
Passo 3: Some tudo
O desconto total do INSS é a soma das contribuições de cada faixa. Se o salário ultrapassar o teto do INSS, para por aí — não se cobra INSS sobre o que excede o teto.
Passo 4: Descubra a alíquota efetiva
Divida o desconto total pelo salário bruto. Esse percentual é sua alíquota efetiva. Ela sempre será menor que a alíquota nominal da faixa mais alta onde você se enquadra.
Não quer fazer conta? Use a Calculadora de INSS do Numerando — coloque seu salário bruto e veja o desconto exato com a alíquota efetiva.
O teto do INSS: limite de desconto e de benefício
O teto do INSS é o valor máximo sobre o qual incide a contribuição. Ganhou R$ 15.000 por mês? Ótimo, mas o INSS só cobra até o teto — a parcela que passa desse valor fica livre de contribuição previdenciária.
A outra face da moeda: esse mesmo teto limita o valor dos benefícios. Sua aposentadoria pelo INSS nunca vai passar desse limite, não importa quanto você tenha contribuído acima dele. Quem ganha muito acima do teto e quer manter o padrão de vida na aposentadoria precisa buscar previdência complementar.
O teto é reajustado anualmente por portaria do Ministério da Previdência Social.
Quem contribui para o INSS?
A contribuição é obrigatória para:
- Empregados CLT: desconto automático em folha
- Empregados domésticos: desconto em folha pelo empregador
- Trabalhadores avulsos: recolhimento pelo sindicato ou OGMO
- Contribuintes individuais: autônomos e profissionais liberais que pagam por conta
- Segurados facultativos: estudantes, donas de casa e outras pessoas sem renda que escolhem contribuir
Cada categoria tem regras próprias. A tabela progressiva deste artigo vale para empregados, domésticos e avulsos.
E quem é autônomo ou facultativo?
Contribuintes individuais (autônomos) pagam 20% sobre a remuneração, respeitando o mínimo (salário mínimo) é o máximo (teto). Existe o plano simplificado de 11% sobre o salário mínimo, mas ele limita os benefícios — não dá direito a aposentadoria por tempo de contribuição, por exemplo.
Segurados facultativos têm três opções:
- 20% sobre o valor escolhido (plano completo)
- 11% sobre o salário mínimo (simplificado)
- 5% sobre o salário mínimo (só para inscritos no CadÚnico, baixa renda)
Na minha opinião, quem é autônomo e ganha bem deveria pensar duas vezes antes de optar pelo plano simplificado. A economia mensal pode sair cara lá na frente.
Como o INSS afeta seu salário líquido (e o IR também)
O desconto do INSS é o primeiro a sair do contracheque. Mas ele não afeta só o valor que cai na conta: também reduz a base de cálculo do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF). Ou seja, quanto maior o INSS, menor a base do IR — e potencialmente menor o imposto.
Esse efeito cascata faz com que INSS e IR funcionem de forma integrada. Calcular um sem considerar o outro dá resultado errado. Por isso ferramentas que fazem os dois cálculos juntos entregam números mais precisos.
Quando a tabela é atualizada?
A tabela do INSS muda todo ano, geralmente em janeiro, por meio de portaria interministerial. O reajuste segue o INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) do ano anterior é a correção do salário mínimo.
Fique de olho: empresas de contabilidade e departamentos de RH precisam ajustar os sistemas sempre que sai uma nova tabela. Trabalhadores também devem conferir se o contracheque de janeiro/fevereiro já reflete os novos valores.
Perguntas frequentes
O MEI contribui da mesma forma que o CLT?
Não. O Microempreendedor Individual paga 5% sobre o salário mínimo pelo DAS mensal — valor fixo e bem menor que o desconto de um CLT. Em compensação, os benefícios são limitados: aposentadoria só por idade e no valor de um salário mínimo, além de auxílio-doença. Se o MEI quiser complementar, precisa pagar a diferença via GPS.
O que acontece se eu ganhar acima do teto do INSS?
Você contribui só até o teto. A parcela excedente não é tributada. Mas atenção: os benefícios do INSS também ficam limitados ao teto. Sua aposentadoria pelo INSS não vai ultrapassar esse valor, mesmo que você tenha ganhado R$ 30.000 por mês a vida inteira.
A alíquota efetiva do INSS é sempre menor que a nominal?
Sim, com uma exceção: quem ganha até o limite da primeira faixa paga exatamente 7,5% (alíquota efetiva = nominal). Para todos os demais, a alíquota efetiva será menor que a da faixa mais alta, porque as primeiras fatias do salário são tributadas com alíquotas menores.