
O que é CDI e como ele afeta seus investimentos
Entenda o que é o CDI, como ele é calculado, qual sua relação com a Selic e por que ele é o principal benchmark de renda fixa no Brasil.
CDI: a taxa que manda na renda fixa brasileira
Se você já olhou qualquer investimento de renda fixa no Brasil, esbarrou no CDI. "CDB de 110% do CDI", "LCI de 90% do CDI", "fundo DI que acompanha o CDI". É o número que aparece em todo lugar — e com razão. O CDI é a régua que mede se um investimento conservador está rendendo bem ou mal.
Vou explicar o que ele é, de onde vem é como afeta diretamente o dinheiro que está (ou deveria estar) rendendo na sua conta.
O que é CDI, afinal?
CDI significa Certificado de Depósito Interbancário. É um empréstimo de curtíssimo prazo — geralmente um dia — que bancos fazem entre si.
O Banco Central obriga os bancos a fecharem o dia com um saldo mínimo de caixa. Banco que sobrou dinheiro empresta pra banco que ficou curto. Esse empréstimo de um dia é um CDI.
Taxa DI: o número que importa
Quando alguém fala "CDI" no contexto de investimentos, está se referindo à taxa DI — a média das taxas cobradas nessas operações entre bancos. A B3 (a bolsa brasileira) calcula e divulga essa taxa todo dia útil.
A taxa DI é expressa em termos anuais (considerando 252 dias úteis), mas é aplicada diariamente nos investimentos por capitalização composta.
Como a taxa DI é calculada
O processo é direto:
- A B3 coleta todas as operações de CDI do dia
- Exclui as que fogem muito da média (operações atípicas)
- Faz a média ponderada pelo volume das restantes
- Pública o resultado como a taxa DI do dia
Esse número muda todo dia útil, mas as variações diárias são mínimas. O que move a taxa DI de verdade são as decisões do Copom sobre a Selic.
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CDI e Selic: primos de primeiro grau
A taxa DI é a Selic andam juntas, mas não são a mesma coisa:
- Selic Meta: a taxa que o Copom define a cada 45 dias. É a decisão de política monetária
- Selic Over (efetiva): a média das operações com títulos públicos federais
- Taxa DI (CDI): a média dos empréstimos entre bancos, sem lastro em títulos públicos
Na prática, a taxa DI fica cerca de 0,10 ponto percentual abaixo da Selic Over. Isso porque empréstimo com garantia de título público (Selic) tem menos risco que empréstimo "limpo" entre bancos (CDI).
Pra você, investidor, a diferença é pequena. Mas existe: um investimento de "100% do CDI" rende um pouquinho menos que um de "100% da Selic" (como o Tesouro Selic). Na prática do dia a dia, isso não muda grande coisa, mas em valores altos e prazos longos, faz diferença.
Por que o CDI virou a referência de tudo
O CDI se consolidou como benchmark da renda fixa por motivos práticos:
- Reflete o custo do dinheiro no mercado interbancário
- Tem liquidez diária enorme
- Todas as instituições usam como referência
- Facilita comparar investimentos de bancos diferentes
Quando um CDB oferece "110% do CDI", significa que rende 10% a mais que a taxa DI. "90% do CDI" rende 10% a menos. Com essa padronização, dá pra comparar qualquer investimento de renda fixa em segundos.
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Como o CDI afeta cada tipo de investimento
CDB
A maioria dos CDBs é atrelada ao CDI. Um CDB de "100% do CDI" rende exatamente a taxa DI acumulada no período. Bancos menores e digitais costumam oferecer 110%, 115%, até 120% do CDI pra atrair gente — em troca, você aceita o risco de crédito um pouco maior.
Na prática, com proteção do FGC até R$ 250 mil, um CDB de banco médio pagando 115% do CDI é uma das melhores opções de renda fixa conservadora do mercado. Eu diria que é quase injusto pra quem tem até R$ 250 mil pra investir.
Fundos DI
Fundos que buscam acompanhar o CDI. O problema é a taxa de administração: um fundo DI que cobra 1% ao ano vai entregar CDI menos 1%. Hoje em dia, com tanta opção de CDB e Tesouro Selic com custo quase zero, fundo DI caro perdeu o sentido. Se pagar mais de 0,3% de taxa, procure alternativa.
LCI e LCA
Também podem ser atreladas ao CDI, com a vantagem de serem isentas de IR pra pessoa física. Uma LCI de 85% do CDI rende mais no bolso que um CDB de 100% do CDI depois do imposto. Essa é a conta que muita gente não faz — e deveria.
Debêntures
Títulos de dívida de empresas, geralmente pagam CDI + um spread. Exemplo: CDI + 2% ao ano. O spread compensa o risco de crédito da empresa. Não tem proteção do FGC, então o risco é real.
CDI vs inflação: o rendimento que importa
Esse é o ponto que separa quem entende de investimento de quem só olha o saldo da conta. O CDI é uma taxa nominal. Se o CDI está em 13% ao ano é o IPCA em 5,5%, seu rendimento real é de ~7% ao ano (antes do IR). Parece bom. Mas se a inflação disparar pra 10% é a Selic não acompanhar na mesma velocidade, o rendimento real encolhe.
Quem quer proteção garantida contra inflação precisa olhar Tesouro IPCA+, não CDI. O CDI protege bem em tempos normais, mas não tem compromisso contratual com a inflação.
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Compare seus investimentos
Saber quanto o CDI rende é só o começo. O que importa é quanto sobra no bolso depois de IR, inflação e taxas. Use o comparador do Numerando pra colocar cada opção lado a lado.
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre CDI e Selic?
A Selic é a taxa básica de juros definida pelo Banco Central, usada em operações com títulos públicos. O CDI é a taxa dos empréstimos entre bancos sem lastro em títulos. O CDI fica cerca de 0,10 ponto abaixo da Selic Over. Pro investidor comum, a diferença é pequena — mas investimentos atrelados à Selic (como o Tesouro Selic) rendem um pouco mais que os atrelados ao CDI.
O que é um CDB de 120% do CDI?
Significa que o CDB rende 1,2 vez a taxa DI acumulada. Se o CDI anual for de 13%, esse CDB rende uns 15,6% brutos ao ano. Percentuais acima de 100% são oferecidos por bancos menores pra atrair investidores e compensar o risco de crédito maior. Todos os CDBs têm proteção do FGC até R$ 250 mil por CPF por instituição.
O CDI vai subir ou cair?
O CDI segue a Selic, que o Copom define a cada 45 dias com base em inflação, atividade econômica e cenário externo. Quando o Copom sobe a Selic, o CDI sobe. Quando corta, o CDI cai. As expectativas do mercado pra Selic futura saem no Boletim Focus do Banco Central — vale acompanhar se você quer antecipar os movimentos.
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