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Fintechs e Transformação Digital: Novas Ofertas e Tendências de Mercado

O cenário financeiro brasileiro se transforma com inovações. A Nomad lança seguro de vida em dólar, o UBS projeta crescimento na América Latina e critérios ESG redefinem garantias financeiras. A digitalização também avança na saúde, com planos odontológicos em alta, e na publicidade, com a expansão

Em resumo

  • A Nomad lançou o primeiro seguro de vida em dólar do Brasil, oferecido em parceria com a Olé Life, com indenização isenta de Imposto de Renda e mensalidade fixa por cinco anos.
  • O UBS Global Wealth Management (GWM) projeta crescimento de dois dígitos na América Latina, consolidando a integração do Credit Suisse e focando em uma estrutura mais centrada nos clientes.
  • Critérios ESG (Environmental, Social and Governance) transformaram-se em fator financeiro mensurável, reduzindo em até 0,5% o custo de garantias e entre 10 e 20 pontos-base as taxas de juros para empresas com boas práticas.
  • O estoque global de títulos de dívida ESG superou US$ 5 trilhões em 2025, impulsionando a integração desses critérios no setor de seguros e garantias, que cresce a 15% ao ano.
  • O mercado de planos odontológicos no Brasil cresceu 36,03% entre 2019 e 2024, alcançando mais de 35,3 milhões de beneficiários, e a mídia digital out-of-home (DOOH) avança, com 71% dos anunciantes planejando aumentar investimentos em 2025.

Novas Fronteiras para o Dinheiro do Brasileiro

O setor financeiro brasileiro vive uma onda de inovações, com fintechs e bancos tradicionais buscando se adaptar às necessidades de um público cada vez mais globalizado. Uma das novidades é o lançamento do seguro de vida em dólar pela Nomad, fintech especializada em contas globais. Este produto, desenvolvido em parceria com a seguradora digital Olé Life, oferece indenização isenta de Imposto de Renda e mensalidade fixa por cinco anos.

A contratação é simplificada, sem exigir exames médicos prévios ou envio de documentação financeira complexa. A solução visa atender a demanda por maior estabilidade e diversificação de patrimônio, refletindo a busca de muitos brasileiros por segurança financeira em moedas fortes.

A Nomad, que já oferece investimentos e transferências em dólar, expande seu portfólio para o planejamento sucessório. Esse movimento destaca a tendência de dolarização de serviços financeiros, oferecendo opções que antes eram restritas a poucos.

Sustentabilidade: De Ética a Fator de Risco Financeiro

Os critérios ESG (Environmental, Social and Governance) deixaram de ser apenas um diferencial ético para se tornarem um componente financeiro mensurável, impactando diretamente o custo de capital e o acesso a garantias. Empresas com altos scores ESG apresentam menor risco de interrupções operacionais, multas regulatórias e danos reputacionais.

Essa percepção de menor risco se traduz em benefícios práticos. Uma economia de 0,5% no custo de uma garantia bancária pode representar a diferença entre lucro e prejuízo operacional. Empresas com métricas ESG sólidas captam recursos com taxas de juros entre 10 e 20 pontos-base inferiores aos seus pares.

O mercado de finanças sustentáveis reflete essa mudança. O estoque global de títulos de dívida ESG (títulos verdes, sociais, de sustentabilidade e atrelados a metas) superou US$ 5 trilhões em 2025. Esse volume impulsiona o setor de seguros e garantias, que movimenta cerca de US$ 20 bilhões anuais, a integrar critérios ESG na análise de risco, crescendo a uma taxa composta estimada de 15% ao ano.

No Brasil, a Superintendência de Seguros Privados (SUSEP) estabeleceu diretrizes obrigatórias de sustentabilidade, exigindo que riscos climáticos e sociais sejam considerados na subscrição de seguros. Grandes bancos já incorporam questionários socioambientais em suas esteiras de crédito. No setor elétrico, mais de 70% dos contratos de longo prazo (PPAs) assinados globalmente em 2023 incorporaram cláusulas de desempenho sustentável ou exigências de garantias vinculadas a ratings ESG.

Expansão e Consolidação no Mercado Financeiro Latino-Americano

A América Latina emerge como um mercado-chave para a gestão de fortunas, com o UBS Global Wealth Management (GWM) projetando um crescimento de dois dígitos na região. Essa perspectiva otimista ocorre após um ano de desafios, marcado pela complexa integração do Credit Suisse no UBS globalmente.

A reorganização do banco visa uma estrutura mais centrada nos clientes, aproximando a tomada de decisão dos mercados locais. Essa estratégia reflete o compromisso em reforçar o foco em performance e resultados. A região representa uma oportunidade significativa para instituições financeiras que conseguem se adaptar às dinâmicas locais e oferecer serviços de gestão de riqueza personalizados.

Benefícios e Publicidade na Era Digital

A transformação digital também redefine o acesso a benefícios e a forma como as empresas se comunicam. No setor de saúde, os planos odontológicos ganham destaque, com um crescimento de 36,03% no número de beneficiários entre 2019 e 2024, totalizando mais de 35,3 milhões de pessoas. Com tickets acessíveis e alta percepção de valor, esses planos se tornaram um benefício estratégico para empresas, que os oferecem no modelo B2B2C (Business to Business to Consumer).

A CNP Seguradora, por exemplo, atua no desenvolvimento de soluções white label, onde bancos, fintechs e varejistas podem oferecer planos odontológicos sob sua própria marca. Esse modelo gera recorrência, fortalece a relação com a base de clientes e cria novas oportunidades de receita para os distribuidores.

Paralelamente, a mídia digital out-of-home (DOOH), que abrange telas digitais em ambientes físicos como lojas, academias e shoppings, avança no Brasil. Pesquisa Panorama DOOH 2025 indica que 71% dos anunciantes planejam aumentar seus investimentos no canal. Essa expansão reflete a digitalização de ambientes comerciais e corporativos, integrando a comunicação online e offline.

A mídia indoor, parte do ecossistema DOOH, permite a exibição de conteúdos digitais com atualização remota e segmentação por localidade. Essas soluções tecnológicas, como o Yeloo Player, centralizam a programação e realizam atualizações remotas em múltiplos pontos. O avanço do DOOH impulsiona o empreendedorismo e a comunicação regional, complementando a transformação digital observada em vários setores da economia.

Perguntas frequentes

O que é um seguro de vida em dólar e por que é relevante?

Um seguro de vida em dólar é um produto financeiro que oferece cobertura e indenização na moeda americana. É relevante para brasileiros que buscam estabilidade em seu planejamento sucessório, protegendo o patrimônio contra flutuações do real e buscando diversificação em um cenário econômico globalizado.

Como os critérios ESG afetam o custo de garantias financeiras?

Critérios ESG são indicadores de práticas ambientais, sociais e de governança corporativa. Empresas com bons scores ESG são vistas como menos arriscadas por bancos e seguradoras, o que pode resultar em custos menores para garantias bancárias e taxas de juros mais competitivas em empréstimos e financiamentos.

Qual a importância da mídia DOOH para as empresas?

A mídia Digital Out-of-Home (DOOH) é importante por permitir que empresas exibam conteúdo digital em telas localizadas em ambientes físicos de alta circulação. Ela oferece segmentação, atualização remota e a capacidade de integrar estratégias de comunicação online e offline, alcançando consumidores no ponto de contato e impulsionando o reconhecimento de marca.

Por que os planos odontológicos estão crescendo no Brasil?

Os planos odontológicos crescem devido à sua acessibilidade, à alta percepção de valor pelos clientes e à facilidade de incorporação como benefício empresarial. Eles oferecem uma ampla rede de atendimento e cobertura para diversos procedimentos, tornando-se uma solução estratégica para empresas que desejam ampliar seu portfólio de proteção e retenção de clientes ou colaboradores.

O que significa "white label" no contexto de serviços financeiros?

No contexto de serviços financeiros, "white label" refere-se a um modelo onde uma empresa (como uma seguradora) desenvolve um produto ou serviço para que outra empresa (como um banco ou fintech) o ofereça sob sua própria marca. A empresa parceira mantém sua identidade e relacionamento com o cliente, enquanto a desenvolvedora assume a estrutura técnica e operacional.


Fontes